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UMA SINGELA HOMENAGEM AO SD PM MELO

No último sábado o Sd PM Vinicius da Silva Melo foi morto durante abordagem a criminosos na cidade de Piracicaba. O Cb PM Rubens foi ferido no braço.

Eu me recordo de uma das primeiras aulas no Barro Branco, no início do 1º CFO, quando um Aluno Oficial perguntou ao instrutor se matar era uma das funções do Policial Militar.

O Mestre, sabiamente, respondeu que matar não é função do Policial Militar, pois o objetivo da Corporação é salvar vidas, e não tirá-las. Comparou, inclusive, com a função do carrasco que, este sim, tem a obrigação legal de ceifar vidas.

Aquela frase me acompanhou durante toda a vida.

Avançando até 2019 vejo que o Sd Melo foi o 30º policial militar a ter sua vida ceifada somente neste ano. Deixou a esposa e 02 filhos menores sem a presença do marido e do pai.

Por mais que honremos nosso compromisso ao ingressar na Corporação, de cumprir a missão com o sacrifício da própria vida, é inevitável que questionemos, a todo momento, até onde isso é de fato justo ou não.

Na última sexta, o Governador João Doria, em uma ação midiática, lançou o programa Favela Fest, um suposto festival de música em comunidades da cidade de São Paulo, como uma alternativa aos Pancadões.

Favela Fest.

E fez questão de ressaltar que o lançamento do programa não possui ligação alguma com o evento recente de Paraisópolis, dizendo que trabalhava neste projeto há quatro meses e que o anúncio estava previsto.

Certamente, o momento era mais que oportuno, visto que a Polícia Militar tem sido o principal alvo das 09 mortes ocorridas recentemente.

Pergunto-me se tivéssemos a vida de 09 policiais militares ceifadas durante este mesmo evento.

Haveria o lançamento da Polícia Fest? Ou a morte dos Policiais Militares seria tratada como consequência do cumprimento do juramento feito nos pátios sagrados das escolas de formação?

Tirar as vidas de civis já não tem sido aceito há muito tempo.

Espero estar vivo para o dia em que morrer em serviço também seja inaceitável.

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