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UM DIA PARA A HISTÓRIA

(*) PAULO JOSÉ RIBEIRO DA SILVA


Ao longo da minha militância profissional e institucional sempre defendi que a Polícia Militar é uma instituição permanente, com dignidade constitucional caracterizando-se como política de Estado e não de Governo.


Essas características serviram para proteger a Força Pública de São Paulo de caprichos pessoais ao longo destes dois séculos.


A norma escrita será sempre letra morta se os agentes da história não se apoderarem dessa norma transformando-a em prática político-institucional.


Por vezes, seus agentes sentiram receio de exercitarem o que lhes cabia por direito e preferiram, sob o falso legalismo, obedecer a caudilhos cujo único objetivo é a perpetuação de sua casta no poder.


Mas,”QUANTO TEMPO PODE UMA MONTANHA EXISTIR ANTES QUE O MAR A DESFAÇA?”. O tempo suficiente para que se perceba a infinita força que esse mar tem diante do poder estático da montanha que não passa de um “acidente” geográfico.


Sempre foi assim conosco,Policiais Militares, com governantes inescrupulosos nos tratando como desqualificados e desnecessários pois em nada nos esforçávamos para quebrarmos a pecha de DESPOLITIZADOS.


Não é possível fazer omelete sem quebrar ovos. Da mesma forma, não é possível ser legalista afrontando a lei.

Os governantes passam. Só a PM é eterna. Essa semana o Comandante-em-Chefe da PM paulista(o mesmo que chamou de vagabundos os veteranos dessa Força) garantiu usar a Polícia Militar para atacar o povo paulista caso descumprisse seu decreto particular de ESTADO DE SÍTIO.


No frenético desejo de figurar como o paladino da sociedade brasileira, o jovem mancebo esqueceu que o seu joguete chamado Polícia Militar não é um ser acéfalo encantado pelas luzes da ribalta como ele próprio.


Se tivesse noção da realidade, jamais teria aceitado o conselho de assessores para tolher ou monitorar o direito de ir e vir do povo paulista usando uma força policial composta de brasileiros que vivem em São Paulo e que nunca ousou se levantar contra esse povo bandeirante.


Diante da afronta à essência legalista da milícia de Feijó e Tobias, combatentes se articularam na construção de um levante silencioso, arquitetado milimetricamente em diversos campos seja no visual, no escrito ou nas articulações de “backstage”.


Bingo!


Ao perceber o rastilho de insurgência se avolumando, o jovem imperador resolveu recuar saboreando o gosto amargo de cerveja choca na garganta.


Esse incidente serviu de aprendizado para ele ao perceber que estaremos sempre ao lado dos governantes enquanto eles estiverem do lado do povo e forem leais aos princípios da instituição.


AVENTUREIROS NÃO PASSARÃO.


Somos uma tropa de combatentes.

Somos os únicos que juramos sacrificar a própria vida pelos outros, inclusive pela nossa PMESP.


Não somos vagabundos, somos loucos.


Amamos ser loucos pois só os loucos são felizes por não sentirem medo (” Mas louco é quem me diz e não é feliz, eu sou feliz “).


Combatentes, a nossa indisciplina é ética. A nossa insurgência é legal. Os anéis passarão, os dedos hão de ficar.


Passemos para a História como uma das muitas pedras que edificaram a PM e não como cupins que contribuíram para sua descaracterização e desaparecimento.


LEALDADE e CONSTÂNCIA é o nosso lema.


HIERARQUIA e DISCIPLINA nossos pilares.


OMISSÃO e COVARDIA desconhecemos.


Lembrem-se de 2006. Resistimos e vencemos.


Estamos no momento de usarmos a política do “BIG STICK”, Pra tudo há limite. E o limite é dado pelo ordenamento jurídico.


Somos a histórica Milícia de Feijó e Tobias, não um grupelho proscrito que atende a desejos escusos de conscritos da administração pública.


PRÓ SAO PAULO FIANT EXIMIA.


A Luta Continua!

(*) É Tenente Coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo e associado da DEFENDA PM.