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POLICIAIS NÃO COMEM VIATURAS, NEM MUNIÇÃO NEM ARMAMENTO.

Na sexta-feira da semana passada, 15 de outubro, policiais das forças de segurança do Estado (polícias Militar, Civil, Técnico-Científica e Penal) reuniram-se nas proximidades do quartel da ROTA, em São Paulo, para protestar contra a política salarial do governo Doria. O protesto, organizado pelo deputado estadual Major Mecca (PSL), foi o primeiro de uma série programada até dezembro. “Nós já passamos do limite do suportável”, justificou o deputado.

De fato, a situação, além de insuportável, deveria provocar vergonha àquele que se denomina “gestor” em São Paulo. Estamos beirando a linha da pobreza, faltando só um pouquinho para atingir a faixa de brasileiros de baixa renda, aqueles que são obrigados a se socorrer aos programas sociais do governo federal para sobreviver. É lamentável que isso aconteça no maior Estado da Federação, que gera quase 40% do PIB nacional.

O “gestor” disse, repetidas vezes, que a polícia de São Paulo será a mais bem-remunerada do País, ficando abaixo somente das polícias do Distrito Federal. Qual! Já no seu terceiro ano de mandato – e lutando para ser indicado pelo seu partido candidato à presidência da República no ano que vem (o que significa abandonar o governo daqui a alguns meses) – promoveu um reajuste de 5% no início de 2019, o que para nós não passou de um deboche.

Meses atrás, ao mandar para a Assembleia Legislativa as linhas do orçamento para o ano que vem, que deverá apresentar no próximo mês, não previu um centavo sequer de reajuste para o funcionalismo público. Para completar, do enorme superávit alardeado pelo seu secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, nada será destinado à remuneração. De polícia mais bem-remunerada do País, terminaremos o ano sendo a mais mal-paga. É questão de dias.

Quando fala em Segurança Pública, o “gestor” e seus subordinados, dentre eles o general-secretário João Camilo Pires de Campos, apresentam enorme lista de investimentos: viaturas blindadas, armamento pesado, material de inteligência, munição e pistolas modernas. Acontece que nós, policiais do Estado de São Paulo, não temos o costume de comer viaturas, armas, munição e pistolas. Precisamos é de dinheiro mesmo, só isso.

Este cenário, pelo menos, favoreceu a inédita união das forças de segurança – desde sempre divididas por obra e graça dos governos, que são favorecidos com as “brigas” corporativistas. Policiais militares, civis, técnico-científicos e penais, e suas associações e sindicatos, deram-se as mãos para brigar por aquilo que lhes é de direito: a justa paga por serviços prestados que servem de exemplo para todas as outras polícias do País.

Desta vez, para infelicidade do “gestor”, seguiremos de mãos dadas exigindo aquilo que é nosso. Não há mais o que negociar. Não há mais como suportar tal situação. Os próximos atos serão muito mais expressivos que este de sexta-feira passada. É um aviso para o “gestor” que quer ser presidente da República. Num passado não muito remoto, seu padrinho político traído seguiu pelo mesmo caminho. Foi um fiasco na eleição presidencial.

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