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POLICIAIS FAZEM MANIFESTAÇÃO POR REAJUSTE SALARIAL

Governo não reajusta salário dos policiais e faz propaganda de boa gestão divulgando compra de armas e viaturas. “Nós não comemos armas nem viaturas”, dizem os policiais.

Integrantes das forças de segurança do Estado de São Paulo (Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnico-Científica e Polícia Penal) fizeram manifestação e passeata nesta sexta, 15, na região central da Capital, para cobrar do governo o reajuste salarial das categorias. Iniciativa do deputado estadual Major Mecca (PSL), o ato foi o primeiro de uma série programada até o final deste ano e marcou a inédita união das polícias em reivindicação de melhorias salariais.

Pelo que se viu e ouviu durante a manifestação, os policiais estão revoltados com a política de remuneração do governo. “Os policiais militares estão quase na linha da pobreza, faltando quase nada para serem considerados pessoas de baixa renda com um salário inicial de pouco mais de três mil reais”, explicou o coronel Luiz Gustavo Toaldo Pistori, presidente da DEFENDA PM – Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar.

Os representantes dos policiais cobram o cumprimento da promessa do governador João Doria, que disse inúmeras vezes que a Polícia de São Paulo será a segunda melhor remunerada do Brasil. Doria corrigiu o salário dos policiais em apenas 5%, no início de 2019, e até agora não sinalizou qualquer outro reajuste. A proposta de orçamento enviada à Assembleia Legislativa para o próximo ano não prevê reajuste para esses servidores.

Além dos policiais das forças de segurança, também participaram do ato vários parlamentares, todos criticando o governador pela falta de reajuste salarial. O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Alesp, deputado Emidio de Souza (PT), disse que ninguém vai para a rua quando as coisas estão bem. “E para as coisas estarem bem é preciso que quem está no governo cumpra sua função”, cobrou.

Em Nota, a Secretaria de Segurança Pública explicou que tem investido na capacitação dos policiais, na expansão das unidades e na aquisição de viaturas blindadas, equipamentos de inteligência e armas como pistolas semiautomáticas, rifles de precisão, carabinas e outras para fazer frente ao crime organizado. “Acontece que o policial não come viaturas nem armas, ele precisa de dinheiro para sustentar sua família”, revolta-se o coronel Pistori, presidente da DEFENDA PM.

Hoje, para complementar o salário, o policial paulista é obrigado a se socorrer dos “bicos” em supermercados, padarias, postos de gasolina e outros tipos de comércio. Socorre-se, também, do chamado “bico oficial”, quando o governo chama policiais de folga para trabalhar, pagando hora-extra. “O resultado desta política desumana é que temos um policial cansado, abatido física e psicologicamente, sem tempo para si mesmo e para a própria família”, resume Pistori. “Como exigir ótimo desempenho de profissionais nestas condições?”, indaga.

De acordo com a programação, os manifestantes deverão se reunir novamente nas ruas no mês que vem, e em último ato no dia 15 de dezembro, data de aniversário da Polícia Militar. Está em andamento a captação de assinaturas para um abaixo-assinado a ser enviado ao governador João Doria, cobrando o reajuste. “Já passamos do suportável”, explicou o deputado Major Mecca. “Agora não dá mais para negociar; é reajustar ou reajustar”, disse.

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