POLÍCIA CIVIL CENTRALIZA ATENDIMENTOS DE OCORRÊNCIAS EM RIBEIRÃO PRETO E PREJUDICA A POPULAÇÃO DE 14 CIDADES VIZINHAS

 (*) Elias Miler da Silva

 

Nesta data (08/05/17), fomos surpreendidos com matéria jornalística dando conta de que várias cidades passarão a ter atendimento das ocorrências de flagrante delito pela Polícia Civil em Ribeirão Preto na denominada Central de Polícia Judiciária (CPJ).

Com isso, os Policiais Militares das cidades de Altinópolis, Brodowski, Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Cravinhos, Guatapará, Jardinópolis, Luiz Antônio, Santa Cruz da Esperança, Santa Rosa de Viterbo, São Simão, Serra Azul, Serrana e Santo Antônio da Alegria, quando surpreenderem alguém cometendo um delito em situação de flagrante, fora do horário de expediente das delegacias das cidades mencionadas, além dos feriados e finais de semana, terão que se deslocar com as viaturas para a CPJ em Ribeirão Preto.

Tal medida é totalmente descabida, pois nas cidades mencionadas, quando isso acontecer, o policiamento preventivo local ficará prejudicado, facilitando a ocorrência de outros crimes, em especial os furtos a caixas eletrônicos durante as madrugadas que tanto amedrontam a população de bem.

Alertamos o Exmo. Sr. Secretário de Segurança Pública sobre essa aberração que somente prejudicará a população daquelas localidades, bem como o Exmo. Sr. Governador do Estado, que recentemente nomeou mais de 1.100 policiais civis e é esse desserviço que a população daquela região irá receber.

Segundo a matéria publicada:
“A medida melhorará o atendimento, possibilitando uma análise inicial da ocorrência criminal por um Delegado de Polícia e permitirá a manutenção de rotina de trabalho das delegacias de polícia municipais, prejudicada com os acionamentos extemporâneos de seus policiais”.
Ora Senhor Secretário Dr. Mágino e Senhor Governador Dr. Geraldo Alckmin, a frase acima que retrata na íntegra parte da matéria jornalística é uma falácia. A população das 14 cidades será prejudicada com essa decisão, especialmente pelo fato do efetivo da Polícia Civil ter sido acrescido recentemente com novas nomeações de concursados e formatura de pessoal que frequentava cursos. É um contrassenso, pois enquanto se aumenta o efetivo, piora-se a prestação de serviço, fechando-se as Delegacias daquelas cidades em determinados horários.

Mais um motivo para que a Polícia Militar inicie, rapidamente, a elaboração do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) não apenas pela Polícia Rodoviária e Polícia Ambiental, como está programado, mas também em todo o interior do estado. Assim, ocorrências de menor potencial ofensivo, tais como um porte de drogas ou uma lesão corporal leve, dentre tantas outras, terão atendimento com qualidade pela Polícia Militar na porta da casa do cidadão ou no local da abordagem policial, sem que haja a necessidade de deslocamentos desnecessários à Ribeirão Preto.

Como já dito outrora, o TCO elaborado pela Polícia Militar será o POUPATEMPO DA SEGURANÇA PÚBLICA.

Com isso, além da excelência na prestação de serviço à sociedade que a Polícia Militar ofertará, haverá economia de recursos financeiros ao erário, pois não serão necessários quilômetros de deslocamentos inúteis.

 

(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar e Presidente da Associação “DEFENDA PM”

www.defendapm.org.br

 

Fonte:  

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/pms-de-plantao-terao-que-viajar-ate-ribeirao-preto-para-registrar-ocorrencias-de-14-cidades.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar

 

 

 

NÃO PERCAM A CONTA: MAIS UM PM FOI MORTO…

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

Algo que só não seria anormal numa situação de guerra se repete: na madrugada de hoje mais um policial militar foi morto no exercício de suas funções.

O Cabo PM Marco Antonio Mendonça Barreto, que servia na cidade de Itapecerica da Serra, área do 25º BPM/M, foi morto em decorrência de um atropelamento causado por um criminoso ocupando uma motocicleta.

O policial e seus companheiros tentavam a abordagem de ocupantes de duas motocicletas que eram produtos de crimes; depois de conseguirem fazer a contenção de um dos veículos, o segundo, conduzido por um criminoso, atropelou o policial militar, causando-lhe traumatismo craniano, o que o levou à morte.

A nossa “fábrica de heróis” produziu mais um…

Que bom seria que fosse o último….mas infelizmente é “apenas mais 1… um outro número que se somará aos que já partiram…

Muito provavelmente pouco se comentará a respeito do assassinato do Cabo PM Barreto: talvez nos telejornais se fale bem rapidamente que um PM foi atropelado e morreu…talvez nas páginas dos jornais, em letras bem minúsculas e lá no cantinho de baixo da página apareça uma breve nota…quem sabe na internet, num site de notícias, seja apresentada uma mensagem curtinha, dizendo apenas que um policial foi atropelado, sem dar mais detalhes…

Mais a pergunta que deixo é a seguinte: e se fosse o PM que tivesse atirado no criminoso??? Não tenho dúvida alguma, a postura seria completamente diferente!!!

A conclusão que resta, com muita tristeza no coração, é a de que a sociedade já se acostumou com esta triste realidade: morrer PM em serviço já não é surpresa para ninguém….

Tristes dias….

(*) É Coronel da Polícia Militar de São Paulo,

Comandante da Escola Superior de Soldados e Associado da Defenda PM

REINICIANDO A SAGA

(*) Humberto Gouvea Figueiredo
Parto para São Vicente.

Vou fazer o que, infelizmente, fiz por quase uma dezena de vezes no tempo em que comandei as regiões de Piracicaba e de Ribeirão Preto: irei assistir o sepultamento de mais um policial militar.

Quarenta e cinco dias depois de assumir o comando da Escola Superior de Soldados (ESSd) tenho a minha primeira perda: o Soldado Edivaldo Pedro dos Santos não era diretamente subordinado a mim, pois frequentava o módulo especifico do Curso Técnico de Polícia Ostensiva no Comando de Policiamento do Interior – 6, em Santos, mas tinha vínculo com a ESSd, quer seja pelo fato de ter estado conosco em Pirituba no semestre anterior, no módulo básico, mas principalmente porque daqui a pouco mais de 20 dias estaria novamente ao nosso lado, no Complexo do Anhembi, quando se formaria e passaria a efetivamente servir e proteger o povo de São Paulo e os brasileiros que aqui vivem ou transitam.

O Soldado Santos foi covardemente assassinado quando saía de sua casa para ir para o quartel se preparar para proteger o cidadão: com sete tiros na cabeça, teve suprimido seus sonhos de ser policial militar e de ser pai e chefe de família, pois deixou uma jovem esposa grávida de 7 meses.

Seus “erros”?

Aponto alguns: o primeiro foi o de ser pobre e não ter recursos financeiros maiores que lhe permitisse habitar mais dignamente. Ele dividia um “barraco” numa favela de São Vicente com a sogra e a esposa. Pagava quatrocentos reais de aluguel: era o que o seu poder aquisitivo lhe permitia. 

Outro “erro”: escolheu ser PM e assumiu o risco de fazer parte do grupo social que é seis vezes mais vitimado do que a população normal.

Também “errou” ao escolher o lado do bem, ao defender os valores mais nobres da Instituição a que pertencia e da Sociedade que defenderia em poucos dias.

O Soldado Santos só será lembrado por poucos dias…seu nome deverá ser lembrado nos discursos e textos que serão lidos no próximo dia 25/5, data da formatura daquela que seria a sua Turma.

Depois ele será esquecido, seu nome se transformará em um número e será apenas mais um Soldado Morto.

Algo precisa ser feito….e logo…
(*) É Coronel da Polícia Militar de São Paulo,

Comandante da Escola Superior de Soldados e Associado da Defenda PM