DEFENDA PM ENVIA CORRESPONDÊNCIA AO RESPONSÁVEL PELO JORNAL “O VALE”, DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Ontem à noite a Cel Nikoluk, comandante do CPI-I – São José dos Campos, solicitou manifestação da Defenda PM em relação a uma reportagem publicada pelo jornal “O Vale”, que circula na região. Com base em pesquisa de um grupo de alunos de psicologia, o jornal mostra o aumento do número de denúncias de agressões em escolas de São José dos Campos. Na mesma edição, na capa, o jornal evidencia outra reportagem retratando o mapa da violência na região.

As reportagens não falam em Polícia Militar, não nos acusam de nada, sequer mencionam a Instituição – a não ser na última linha, e assim mesmo com uma informação que não nos atinge (a PM informa que 80% dos casos de homicídio na região estão ligados ao tráfico de entorpecentes). Por que a reportagem causou preocupação à Cel Nikoluk – e, agora, à Defenda PM – então?

Na capa, uma foto em quatro colunas (a página é desenhada em cinco colunas; portanto, a foto cobre quase todo o espaço, na horizontal), mostra Policiais Militares em continência, junto com o título que fala da escalada da violência. No interior, uma viatura da PM ilustra a matéria que fala do aumento do número de denúncias de agressão.

A Defenda PM não entendeu a publicação como uma afronta, ou mesmo como mensagem subliminar do jornal. Entendeu como mau jornalismo; na falta de uma ilustração condizente, o editor publicou o que mais lhe pareceu lógico, uma referência à Polícia Militar. É o peso da exposição da farda.

Hoje mesmo, a Defenda PM enviou carta ao diretor-responsável pelo jornal, explicando que a continência é um dos mais caros gestos na liturgia policial-militar, uma das maneiras de manifestar respeito tanto aos nossos iguais como à sociedade, e também a símbolos como a Bandeira Nacional. E que uma viatura tem o poder de dar ao cidadão a sensação de segurança que o tranquiliza.

Ao final, a Defenda PM ressalta que a carta é um apelo para que os profissionais do jornal “O Vale” considerem a extensão do possível dano que decisões editoriais assim podem causar. “Tenho absoluta certeza de que as fotografias não foram publicadas com o intuito de macular a imagem da Polícia Militar. Não vejo nenhuma intenção do editor em juntar a imagem da Polícia Militar à violência que grassa em nosso país. No entanto, é isto o que salta aos olhos”, explica o texto, assinado pelo presidente Cel PM Elias Miler da Silva. Despede-se afirmando acreditar que “juntos, Polícia Militar e Sociedade – incluindo nesta a Imprensa de modo geral, sem a qual a sociedade se veria na mais profunda ignorância – possam trabalhar na construção de um mundo melhor”.

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(*) Elias Miler da Silva


Está lá na praça, sentado tranquilamente, fumando seu cachimbinho de crack, um pobre usuário. E vem o policial militar, movido por uma sanha assassina, vê o pobre ali, sem fazer nada, levanta a arma e prega no olho dele uma bala de borracha. O rapaz fica cego.


O rapaz em questão tem 28 anos, chama-se Heitor Fonseca, e ocupa grande espaço do Portal UOL nesta manhã de 5 de julho de 2017. É feita sob medida para inspirar piedade (em relação aos usuários de drogas) e ódio (em relação à Polícia Militar). O objetivo não foi atingido: três assinantes comentaram a notícia, todos aplaudiram a Polícia.


Acontece que Heitor foi identificado como um dos agressores dos policiais militares que foram cumprir uma ordem legal de desocupar a Praça Princesa Isabel no dia 17 de junho. Ele acompanhava a leva de usuários de crack que migrou a Cracolândia para a praça depois da desocupação do final de maio.


Ele não é um usuário qualquer. Natural de São Bernardo do Campo, começou a usar drogas quando vivia com a família em Nova Jersey (Estados Unidos) onde seus pais, com três filhos, foram viver ilegalmente em busca de uma vida melhor. A mãe fazia faxina; o pai, reformava casas. Nada que não pudesse ser feito em São Bernardo mesmo.


Nos EUA, diz à Folha, os irmãos entraram e saíram de várias clínicas de reabilitação. Ficaram presos de 2007 a 2012 por terem sido flagrados em assalto a mão armada. Heitor tinha 19 anos. Foram deportados para o Brasil, diretamente para Poços de Caldas (MG), onde moravam os avós.


A avó conta que Heitor estudou em bons colégios. Fala inglês fluentemente. Trabalhou em hotéis, deu aulas do idioma…. mas sempre voltava para as drogas. Fez um curso para ser monitor de clínicas de reabilitação. Foi trabalhar em Cotia. Heitor conta que teve recaídas, piorou de vez e foi parar na Cracolândia.


A Folha foi ouvir o coordenador do núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, Carlos Weis. Ele declarou que “todas as pessoas têm liberdade de locomoção, e a polícia só pode reprimir se a pessoa tiver cometido crime ou se tiver um mandado policial (sic)”. A Folha também foi ouvir o pai do rapaz, lá nos Estados Unidos. Ele disse que o fato “mudou totalmente a vida dele (Heitor). O que ele vai fazer agora?”, indaga.


O Cratod (centro de referência de drogas do governo do Estado), declarou que Heitor compareceu ali “para ser avaliado por equipe multiprofissional e para ser orientado quanto à organização de bagagens, separação de medicação e alimentação”. Heitor evadiu-se do local às 11 horas, uma hora antes do horário programado para a saída.


Este é o Heitor. Personagem da Folha.


Para que informar, se pode deturpar….?



(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e Presidente da DFENDA PM.


www.defendapm.org.br


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/07/1898561-usuario-de-droga-perdeu-olho-em-acao-da-policia-militar-na-cracolandia-de-sp.shtml