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O DISCURSO DE “BOLSÃO BOLSONARISTA” ATRIBUÍDO À PM QUER FAVORECER O GOVERNADOR JOÃO DORIA!

OPINIÃO DEFENDA

Vem ganhando força a cada dia (não só na imprensa mas também nos discursos de alguns parlamentares menos atentos e, pasmem, de gente de alta patente da Oficialato da Polícia Militar), a pecha “bolsão bolsonarista” em referência à PM paulista. Muito ao contrário do que muitos pensam, essa pecha não espelha o comportamento político dos policiais militares do Estado de São Paulo. Ela não favorece o governo Bolsonaro; é uma estratégia para desqualificar a oposição sincera e honesta dos policiais insatisfeitos com a falta de palavra e de honrar o compromisso público assumido pelo Sr. João Dória. A pecha “bolsão bolsonarista” tenta jogar a opinião pública a favor do governador Dória e contra os policiais militares paulistas.

É menosprezar a inteligência do PM paulista plantar essa “pecha” para esconder a realidade do desgoverno do Sr. João Dória não só na segurança pública. Ele, com sua trupe, seus marqueteiros e alguns PMs alinhados ao seu projeto de governo, estão querendo desqualificar a insatisfação dos profissionais de segurança pública com o não cumprimento das promessas de campanha reafirmadas na condição de governador e nunca cumpridas. Tentam demonstrar que a insatisfação é um ato de adeptos políticos do Presidente Bolsonaro.

É triste ver um homem que vestiu a camisa do Presidente Bolsonaro para ser eleito governador do Estado, que escreveu nesta camisa a palavra “Bolsodoria”, num oportunismo político de sempre, e, vendo fracassar o seu projeto de poder de disputar a Presidência da República em 2022, tenta fazer um trabalho de desespero e de marketing para tentar sobreviver.

Não se pode negar que o povo brasileiro votou no Presidente, estão aí os resultados. E, dentre o povo, a imensa maioria dos policiais militares do Brasil, não só do Estado de São Paulo. Esses mesmos que elegeram ainda aprovam o governo Bolsonaro provavelmente votarão no Presidente em 2022, se ele tentar a reeleição. Tampouco se pode negar que a imensa maioria dos policiais militares paulistas não dará o voto a João Doria e trabalhará com vistas a atropelar suas pretensões de ocupar o Palácio do Planalto. Porém, um comportamento não se liga ao outro, não têm nada em comum; são ideias distantes uma da outra, apesar da semelhança.

Jair Bolsonaro foi eleito Presidente da República com voto massivo dos policiais militares por dois motivos: o primeiro porque ele representava, e ainda representa, o contrário dos governos corruptos anteriores que abominavam aquilo que é mais valioso ao militar: o respeito à ordem, o respeito à Pátria e seus símbolos, a retidão de caráter, o nojo à corrupção. O segundo motivo é que todos os anseios dos policiais militares encontraram guarida no discurso bolsonarista de valorização, reconhecimento, agradecimento e proteção àqueles que juram defender a sociedade com o sacrifício da própria vida. Diferentemente do governador, que chamou os policiais militares aposentados de “vagabundos”, o Presidente pelo menos elogia e os destaca como fundamentais para a manutenção da Democracia.

No Estado de São Paulo, a revolta dos policiais militares em relação ao governador não decorre da simpatia e apoio ao Presidente da República. Antes, e tão somente, deriva do não cumprimento de dezenas de promessas feitas em campanha, sobre muitas das quais repousaram a esperança em dias melhores para a força policial. Doria enfatizou a recompensa financeira como sua principal bandeira para conquistar os votos dos PM, garantindo que a Polícia Militar de São Paulo seria a “segunda melhor paga do país”. Um ano e meio depois da posse do governador, os policiais militares caíram para o 25º lugar no ranking de remuneração das 27 unidades da Federação.

Não é só o salário vergonhoso que irrita os policiais militares paulistas. Ao lado do soldo, no item (des) valorização figuram as jornadas estafantes, a insegurança jurídica e material, a instituição de batalhões especiais (no padrão Rota!) que menospreza os outros segmentos e resulta em falta de mão de obra para fazer segurança pública de maneira adequada e, também, a mão não estendida quando uma palavra de conforto do governador é tão necessária. Neste particular, destaca-se a ausência de Doria em enterro de policiais militares e apoio a seus familiares (oportunidades não faltaram: no ano passado, 14 PM foram assassinados; neste ano, até agora, 13).

O “falastrão” da campanha passou a adotar o discurso crítico que compromete a força policial. Ninguém esquece que o então candidato dizia que, em seu governo, o bandido que enfrentasse a polícia morreria. Hoje, sem dar solução aos verdadeiros problemas que causam desânimo na Corporação, lança um programa de “retreinamento” com a mesma autoridade de um comentarista esportivo, como se o problema dos policiais militares fosse falta de capacitação profissional, não de valorização humana. É um discurso vazio feito no calor dos acontecimentos, na medida para fugir das críticas, mas também na medida para causar estranheza e suscitar críticas ácidas dos integrantes da Corporação.

Ao lado do discurso oportunista e fácil do governador, destacam-se também os argumentos (tampouco menos vazios) de alguns integrantes da Polícia Militar – do serviço ativo e da Reserva – críticos ao Presidente da República. Ao criticar o governo central, denominam os policiais militares de apoiadores do bolsonarismo reforçando a ideia de “bolsão bolsonarista” em São Paulo, sem perceber, ou percebendo, que estão sendo instrumentos daqueles que destruíram as condições salariais e a dignidade dos policiais militares paulistas, traindo sua História e causando mal àqueles que um dia ombrearam em vocação comum. Usam a Instituição Polícia Militar e seus integrantes como escada para fazer ecoar sua voz crítica, muitas vezes falando em nome da Instituição e dos que a compõem. Nada melhor para os que querem o “fim da Polícia Militar” que seus integrantes falando mal dela mesma.

Neste cenário de degradação das condições de trabalho, de desvalorização da força policial e de fogo amigo, mas também da oportunidade de pavimentar o caminho ao Palácio do Planalto, a pecha “bolsão bolsonarista” cai na medida para reforçar o discurso do já candidato João Doria. As críticas dos PM, vistas de longe, sem a necessária atenção ao que realmente importa, parecem mesmo gratuitas e vazias de conteúdo. Aos olhos de quem não conhece a realidade enfrentada, parece que os PM de São Paulo criticam o governador pelo simples fato de ele ter-se apoiado no prestígio de seu “ídolo” para eleger-se. Ganha João Doria, pois posa de vítima, sob o argumento de que não consegue governar porque encontra má vontade e falta de apoio para conduzir o Estado.

Os inocentes úteis que estão reproduzindo esse discurso, e aos com más intenções, saibam que não estamos desatentos ao projeto político do governador. Fica o recado de que ele tem ainda dois anos e meio para cumprir a sua palavra de candidato e de governador e dar a dignidade que os nossos heróis merecem: salário justo, apoio na atuação policial, solidariedade à memória dos heróis tombados e aos seus familiares.

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