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IGNORÂNCIA E MÁ-FÉ NA ENTREVISTA DO SECRETÁRIO DA JUSTIÇA AO “PÂNICO”

Ex-advogado particular do governador João Doria, Fernando José da Costa passou o programa defendendo o chefe. Em duas incursões na Segurança Pública, derrapou.

O secretário da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, Fernando José da Costa, participou ontem do programa “Pânico” na Rádio Jovem Pan. Apesar de salientar que não é sua área de competência no governo Doria, entrou duas vezes no tema Segurança Pública e foi infeliz em ambas ao defender o chefe e tentar mudar a realidade que todos os policiais conhecem.

Na primeira, disse que o Estado de São Paulo tem 46 bilhões de reais para investir (o que todo mundo sabe, não é segredo para ninguém; ao contrário, é informação alardeada pelo governador) e colocou nas costas do secretário da Segurança Pública a responsabilidade por melhorias. Relatou que, em reuniões, Doria sempre pergunta ao general: “de que a Polícia precisa?”.

Na segunda, para espanto geral, de ouvintes e entrevistadores, disse que a Polícia de São Paulo “não tem o pior salário do Brasil”. O problema, para o secretário, é o contingente de policiais! Para ele, não é possível estabelecer em São Paulo política salarial de estados que têm 10 mil policiais porque aqui são 130 mil! “São Paulo não paga melhor suas polícias em razão da quantidade de policiais”, afirmou.

Para esta “justificativa”, não se pode falar em ignorância do secretário. Isto é má-fé pura e simples. São Paulo é o maior Estado da nação, tem a maior população, responde por quase 40% do PIB e tem dinheiro sobrando – segundo Henrique Meireles. Se um Estado pequeno, que responde por “zero vírgula alguma coisa” do PIB pode pagar bem sua Polícia, aqui não se paga porque não se quer.

Se a Secretaria da Justiça e Cidadania está sendo conduzida com ignorância semelhante, São Paulo vai de mal a pior. O secretário deveria ler a entrevista de seu colega de governo, Henrique Meireles, da Fazenda, ao jornal “O Estado de S. Paulo”, em agosto, declarando que os 46 bilhões de superávit não serão utilizados para reajuste salarial. O negócio é tocar obras e alavancar a candidatura do “gestor” à presidência da República.

Ao que parece, no entender do titular da Justiça e Cidadania, o pobre e esforçado governo está entre a cruz e a caldeirinha. Ou aumenta o salário dos policiais e quebra o caixa (e não haverá dinheiro para saúde, educação e tudo aquilo que ganha eleição) ou infelizmente continua pagando o que não é suficiente para colocar comida na mesa. É de dar pena.

Para a pergunta do governador ao general, relatada pelo secretário, só há uma resposta: a Polícia precisa de salário! Ponto final. Ninguém come fuzil ou viatura. Simples assim.

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