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DEVANEIOS SOBRE PARAISÓPOLIS

(*) Ernesto Puglia Neto

Ao lermos o artigo de Betty Milan, publicado dia 18 de dezembro, em A Folha de São Paulo, ficamos com a nítida impressão de que ela estava dissociada da realidade dos fatos já sabidos, apurados e divulgados.


Ao redigir o texto, parece que a autora ainda estava na madrugada do dia 01 de dezembro, quando as notícias sobre o fato eram poucas e permitiam opiniões persecutórias contra a força policial.


Hoje, já sabemos que o diálogo sugerido pela missivista logo no início do texto não passa nem perto do real; sabemos que os jovens estavam sob efeito de substância proibida; e sabemos que as lesões são compatíveis com a narrativa dos fatos apresentada pelos policiais militares.


Ou seja, a vontade de atacar a Polícia Militar é tamanha, que mesmo depois de os fatos começarem a ser esclarecidos, a autora se apega a ilusões persecutórias, difamando de forma vil e tendenciosa pessoas que estavam ali por força do dever legal.


Em relação ao tipo de música tocada no local, não precisava a autora ter ido tão longe: era só usar o exemplo do samba, que também foi discriminado em sua origem. Ocorre que não é o tipo de música que determina a ação da Polícia Militar e sim o fato de estar ou não ocorrendo ilícito em determinado local.


E não custa lembrar, que os ilícitos ali ocorridos estão mais que evidentes, e prova disso é a própria condição das vítimas, principalmente das menores de 18 anos, que tiveram livre acesso a álcool e drogas.


Poderíamos ficar aqui enumerando as diversas falhas de órgãos do Estado e do Município que contribuíram efetivamente para a ocorrência dessa tragédia, por meio de sua omissão, mas acabaríamos nos tornando repetitivos em relação a outros textos já publicados.


O mais incrível, é que em sua ânsia discriminatória contra a Polícia Militar, a autora esqueceu-se de sua formação na área médica e ignorou um dos preceitos mais caros desses profissionais: os protocolos!


Se protocolo é uma “palavra vazia”, como explicar que é uma das garantias de procedimento em diversas áreas da medicina? Afinal, não são os protocolos que orientam condutas médicas específicas em casos de enfermidades?


Ora, são também os protocolos que orientam condutas específicas de polícia, em casos de sua atuação.
Será que um médico adota protocolos diferentes para tratar pacientes que têm a mesma doença, as mesmas condições físicas, etc, como propõe a mais nova especialista em ações de polícia? O policial militar deve tratar diferente um cidadão pelo fato de ele gostar de funk e não de rock?


Apesar de todos os devaneios da psicanalista, numa coisa temos que concordar: na boca de quem não tem o mínimo conhecimento sobre determinado assunto, “protocolo” se torna uma “palavra vazia”. Ou seja, na boca de um político, que não tem noção do que é certo ou errado, “protocolo” não traz nenhum significado.


Por fim, em seu texto, ela pede a responsabilização do governador pela sua fala. Que tal exigir isso de todos os entes públicos, eleitos ou nomeados, que contribuíram com aquela tragédia, mas por suas omissões?

(*) É Coronel da Reserva da PMESP e Secretário Executivo da DEFENDA PM.

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