A MÍDIA DOENTE

(*) Humberto Gouvea Figueiredo

A minha experiência vivida na Policia Militar há mais de três décadas me fez compreender a mídia como de fato ela sempre foi: doente!

Sei que estou cometendo um erro que sempre combati, a generalização, todavia a exceção a esta regra é tão pequena, que peço perdão aos poucos veículos de comunicação e profissionais de imprensa que agem corretamente, para abordar o que entendo como a regra neste meu artigo.

Sempre compreendi que o principal papel da mídia era o de informar: mas não apenas comunicar de qualquer maneira, mas de forma imparcial, ética, transparente, ainda que com a emissão de opinião, sempre deixando claro aos leitores, quando fosse este o caso.

Mas não é isto que acontece!

Assisti este “desvio” ao longo de toda a minha vida na PM: foram infinitas às vezes em que, propositadamente, se inverteu a verdade dos fatos, afastando-se da informação correta, para simplesmente usar-se do dado divulgado para se atingir determinado objetivo enviesado pela linha editorial do veículo de comunicação.

Pouco se preocupa se a notícia, matéria ou artigo produzido e eivado de falsidades vai atingir injustamente pessoas ou instituições: o que vale é escrevê-lo de um jeito que chame a atenção do leitor e o leve a consumir o que se apresenta.

Depois, no extremo, bastará uma nota retificadora publicada num cantinho qualquer, sem o mesmo destaque da nota inicial.

Sei e reconheço a importância da imprensa na defesa da democracia, mas conduzida a serviço de interesses de grupos (aliás, bom lembrar que boa parte dos jornais, rádios e TVs está nas mãos de políticos), como se diz o ditado popular, “o tiro sai pela culatra”.

Para a “doença” que consome nossa mídia, o mais eficaz remédio deve ser a Justiça, razão pela qual, entendo que todo prejuízo causado com a divulgação de matérias, artigos e editoriais deve ser cobrado por meio de Ações Judiciais para reparação de danos causados.

Eu sempre faço isto e encorajo meus colaboradores a também fazê-lo.

É assim que penso!

(*) É Coronel de Polícia Militar. Comandante da Escola Superior de Soldados. Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública e Associado da DEFENDA PM.

www.defendapm.org.br

NÃO PERCAM A CONTA: MAIS UM PM FOI MORTO…

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

Algo que só não seria anormal numa situação de guerra se repete: na madrugada de hoje mais um policial militar foi morto no exercício de suas funções.

O Cabo PM Marco Antonio Mendonça Barreto, que servia na cidade de Itapecerica da Serra, área do 25º BPM/M, foi morto em decorrência de um atropelamento causado por um criminoso ocupando uma motocicleta.

O policial e seus companheiros tentavam a abordagem de ocupantes de duas motocicletas que eram produtos de crimes; depois de conseguirem fazer a contenção de um dos veículos, o segundo, conduzido por um criminoso, atropelou o policial militar, causando-lhe traumatismo craniano, o que o levou à morte.

A nossa “fábrica de heróis” produziu mais um…

Que bom seria que fosse o último….mas infelizmente é “apenas mais 1… um outro número que se somará aos que já partiram…

Muito provavelmente pouco se comentará a respeito do assassinato do Cabo PM Barreto: talvez nos telejornais se fale bem rapidamente que um PM foi atropelado e morreu…talvez nas páginas dos jornais, em letras bem minúsculas e lá no cantinho de baixo da página apareça uma breve nota…quem sabe na internet, num site de notícias, seja apresentada uma mensagem curtinha, dizendo apenas que um policial foi atropelado, sem dar mais detalhes…

Mais a pergunta que deixo é a seguinte: e se fosse o PM que tivesse atirado no criminoso??? Não tenho dúvida alguma, a postura seria completamente diferente!!!

A conclusão que resta, com muita tristeza no coração, é a de que a sociedade já se acostumou com esta triste realidade: morrer PM em serviço já não é surpresa para ninguém….

Tristes dias….

(*) É Coronel da Polícia Militar de São Paulo,

Comandante da Escola Superior de Soldados e Associado da Defenda PM

REINICIANDO A SAGA

(*) Humberto Gouvea Figueiredo
Parto para São Vicente.

Vou fazer o que, infelizmente, fiz por quase uma dezena de vezes no tempo em que comandei as regiões de Piracicaba e de Ribeirão Preto: irei assistir o sepultamento de mais um policial militar.

Quarenta e cinco dias depois de assumir o comando da Escola Superior de Soldados (ESSd) tenho a minha primeira perda: o Soldado Edivaldo Pedro dos Santos não era diretamente subordinado a mim, pois frequentava o módulo especifico do Curso Técnico de Polícia Ostensiva no Comando de Policiamento do Interior – 6, em Santos, mas tinha vínculo com a ESSd, quer seja pelo fato de ter estado conosco em Pirituba no semestre anterior, no módulo básico, mas principalmente porque daqui a pouco mais de 20 dias estaria novamente ao nosso lado, no Complexo do Anhembi, quando se formaria e passaria a efetivamente servir e proteger o povo de São Paulo e os brasileiros que aqui vivem ou transitam.

O Soldado Santos foi covardemente assassinado quando saía de sua casa para ir para o quartel se preparar para proteger o cidadão: com sete tiros na cabeça, teve suprimido seus sonhos de ser policial militar e de ser pai e chefe de família, pois deixou uma jovem esposa grávida de 7 meses.

Seus “erros”?

Aponto alguns: o primeiro foi o de ser pobre e não ter recursos financeiros maiores que lhe permitisse habitar mais dignamente. Ele dividia um “barraco” numa favela de São Vicente com a sogra e a esposa. Pagava quatrocentos reais de aluguel: era o que o seu poder aquisitivo lhe permitia. 

Outro “erro”: escolheu ser PM e assumiu o risco de fazer parte do grupo social que é seis vezes mais vitimado do que a população normal.

Também “errou” ao escolher o lado do bem, ao defender os valores mais nobres da Instituição a que pertencia e da Sociedade que defenderia em poucos dias.

O Soldado Santos só será lembrado por poucos dias…seu nome deverá ser lembrado nos discursos e textos que serão lidos no próximo dia 25/5, data da formatura daquela que seria a sua Turma.

Depois ele será esquecido, seu nome se transformará em um número e será apenas mais um Soldado Morto.

Algo precisa ser feito….e logo…
(*) É Coronel da Polícia Militar de São Paulo,

Comandante da Escola Superior de Soldados e Associado da Defenda PM