Estamos sozinhos?

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Mal enterramos um herói e já estamos velando outro!

Algo impensável para uma sociedade civilizada que não está vivendo um estado de guerra. Pelo menos, não uma guerra declarada...

As lágrimas, o amargor e a revolta pelos acontecimentos se misturam e se somam. Para consolar as famílias e amigos enlutados, contamos somente com nós mesmos.

Não há cobertura da imprensa glorificando os atos desses heróis que tombaram; não há grupos de defesa de direitos humanos clamando por justiça; não há clamor popular pelas mortes de seus defensores. Como sempre ocorreu ao longo da história: estamos sós!

Hoje talvez a diferença seja o apoio sincero de um secretário de Segurança Pública que, literalmente, sentou numa viatura policial e sabe o que é tomar tiro, sabe o que é enterrar um companheiro de farda (aliás, não temos memória recente da presença de um secretário, de qualquer pasta, em um velório de policial) e sabe o que é ter que dar uma notícia de morte para uma família... E de um governador que sabe o que é estar engajado numa luta desigual, cujas regras de engajamento são diferentes entre as partes: as forças de segurança respeitam as leis; já os infratores, ora, o próprio nome já diz o que eles fazem.

Ocorre que somente esse apoio do Poder Executivo não nos basta e não estamos sendo ingratos, pois, por décadas nem isso tínhamos. Precisamos de toda a sociedade. Precisamos do Poder Judiciário. E precisamos, especialmente, do Poder Legislativo!

Precisamos mudar as leis que permitem que alguém atire em um policial (não interessa o adjetivo que vem depois desse substantivo). Precisamos de leis que desencorajem a simples cogitação desse ato. Precisamos de leis que garantam que aquele que se atreva a executá-lo seja preso rapidamente. E mais, precisamos que ele fique preso o tempo suficiente para que outros tantos se desestimulem a tentar algo parecido.

Mas, por enquanto, veja bem, por enquanto, estamos sós!

E por estarmos sós, nos resta fazer o que sabemos de melhor: nos protegermos!

Você que nunca viu um irmão tombar ao seu lado; que nunca ouviu o choro desesperado de uma viúva e de seus filhos ao saber da morte daquele que era esteio da família; você que nunca chorou ao ouvir o toque de silêncio e a salva de tiros em homenagem ao herói tombado, vai falar que nossa reação é desmedida, que nossa reação é exagerada, vai até nos acusar de violentos, truculentos e assassinos! Lamento estimado leitor, estimada leitora, mas estão errados!

Somos unidos, somos justos e somos legalistas! O que não somos é covardes! Não deixamos e não deixaremos impunes os nossos algozes. E quem tentar nos impedir vai enfrentar uma força que mesmo ferida, combalida, enlutada e enfraquecida pelos desafios que se impõem ao cumprimento de nosso dever constitucional (nossa Lei Maior), vai atuar de forma aguerrida para proteger a sociedade!

Mas, que garantia a sociedade terá de que a protegeremos, se não protegermos a nós mesmos?

Estamos sozinhos? Será? Nossa Constituição Federal, aquela no ápice da pirâmide das normas afirma que “A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos”, vejam bem, de todos!

Como diria Gabriel o pensador em sua música Palavras Repetidas: “nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte!”

Mesmo se estivermos sós, estaremos fortes! Mas, e você, por que não está conosco?

 

* Por Ernesto Puglia Neto[1]

e

Frederico Afonso Izidoro[2]



[1] Doutor, Mestre e Bacharel em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Especialista em Direitos Humanos. Coronel da Reserva da Polícia Militar de São Paulo. Foi Diretor de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da PMESP. É atualmente o secretário-executivo da Associação dos Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar (DEFENDA PM). Consultor na área de chefia e liderança.

[2] Mestre e Bacharel em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Mestre e Bacharel em Direito. Coronel da reserva da Polícia Militar de SP. Foi chefe do Departamento de Direitos Humanos da PMESP. É atualmente o diretor jurídico da Associação dos Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar (DEFENDA PM). Advogado, membro permanente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP.