DEFENDA PM SAI EM DEFESA DOS MILITARES ELEITOS

O professor Rafael Alcadipani publicou uma texto com o título “É danoso quando militares não passam imagem de neutralidade” (https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/10/artigo-danoso-quando-militares-nao-passam-imagem-de-isencao-e-neutralidade.htm). Tem gente que simplesmente não se conforma em ver uma pessoa da qual não gosta, se dar bem na vida. Outros, extrapolam a individualidade de não gostar de uma pessoa, e abominam uma categoria profissional inteira. Parece ser o caso desse cidadão.

Realmente, tivemos muitos militares, policiais militares, policiais civis e policiais federais eleitos nesse pleito. Logo de pronto, cabem duas importantes observações. Primeira delas: policiais militares, militares e demais membros das forças de segurança, são cidadãos com plenos direitos, portanto podem concorrer ao cargo que quiserem, respeitadas as regras vigentes. Em segundo: eles foram eleitos pelo povo, numa eleição direta!

O autor acha isso perigoso. Começa falando que isso pode macular a imagem das Instituições Militares, para depois dizer que esses militares-políticos – ou seriam políticos-militares? – podem se envolver em escândalos de corrupção. A cereja do bolo é insinuar que um “governo repleto de militares” pode “decidir retornar aos períodos do regime ditatorial brasileiro”, além de afirmar que essa participação pode cristalizar a imagem de que militares são preconceituosos.

Bem, vamos por partes! As Instituições Militares são, como bem disse o digno autor, as mais confiáveis do Brasil. E esse talvez seja o motivo de tantos militares terem sido eleitos pelo povo, nessa eleição! E eles, realmente, podem se envolver em escândalos. Mas qual a diferença entre um mau político militar e um mau político promotor, por exemplo? Estamos falando de cidadãos que estão exercendo um mandato. Tivemos políticos oriundos de quase todas as categorias profissionais, como professores, juízes, promotores, sindicalistas, e nunca vi alguém fazer essa generalização. Ela só ocorre – de forma prévia, ou seja, preconceituosa – pelo ranço que essa categoria profissional carrega.

De outro ponto, quando um militar, ou policial militar, ou policial civil ou policial federal se envolve em escândalos de corrupção, a primeira coisa que suas Instituições fazem, é extirpá-los. Desse modo, enquanto estão sob a esfera de responsabilidade de suas Instituições, sabemos como elas agem em casos de desvios éticos. Agora que passaram ao “mundo dos políticos”, cabe aos políticos e ao povo observar suas condutas éticas – sem prejuízo das ações das Instituições originais, se for o caso. E me parece que o povo está aprendendo a fazer isso, pois tivemos vários envolvidos em escândalos que não foram reeleitos.

Por fim, vamos à cereja do bolo! Eu até entendo a preocupação do renomado autor, afinal ele tem exemplos dessa conduta. Elegemos (não com o meu voto) guerrilheiros, ladrões de banco, corruptos renomados, que tentaram implantar suas ideologias ao povo brasileiro. Felizmente não conseguiram, porque temos leis, uma constituição, instituições fortes, etc.

E quanto à cristalização de uma imagem de que os militares são preconceituosos, violentos, imagem essa que o próprio autor classifica como “caricata”, posso assegurar que não será a atuação política que irá melhorar ou piorar isso, mas sim as publicações preconceituosas da mídia. Cito como exemplo o texto do próprio autor, que declara que “muitos dos políticos militares eleitos possuem inúmeras falas contra homofóbicos, mulheres, negros e demais minorias”, sem apontar a origem dessas falas, numa generalização maldosa, que impede a defesa.

Num ponto eu concordo com o autor: acredito que muitas pessoas deixaram de perceber as Forças Armadas e as PM como ideologicamente neutras. O exato número não é possível saber, mas é até possível calcular: basta somar as votações recebidas pelos candidatos da PM, Forças Armadas e demais forças de segurança!

Ernesto Puglia Neto

Coronel da Reserva da PMESP
Secretário Executivo da Defenda PM