VEREADORA MARIELLE E SOLDADO PM JULIANE: VÁRIOS PONTOS DE INTERSECÇÃO, COM VISIBILIDADES DISTINTAS!


*Major PM Sérgio Marques

Duas pessoas com Histórias de vidas similares. Moradores de grandes centros urbanos (respectivamente, Rio de Janeiro e São Paulo), residentes em suas periferias, mulheres, pobres, negras e homossexuais.
Em suas visões de vidas, optaram por defender o ser humano sob duas óticas diferentes e complementares: Marielle Franco da Silva, 38 anos, pelo viés político, eleita democraticamente como vereadora da “Cidade Maravilhosa”, pelo PSOL – Partido Socialismo e Liberdade. Juliane dos Santos Duarte, 27 anos, pelo viés da Força Pública, após aprovação em concurso público, tornando-se integrante da Polícia Militar do Estado de São Paulo – PMESP, exercendo a autoridade como Soldado da Instituição, após compromisso, em sua formatura, prometendo defender a sociedade, mesmo com o “sacrifício da própria vida”.

O ano de 2018 também as uniria em tragédias individuais em suas cidades de atuação. Com pouco mais de 4 meses de diferença (março e agosto) foram brutalmente assassinadas. Seus corpos, esfacelados por balas assassinas, encontrados em veículos. Seus algozes, aqueles que decidiram destruir famílias, comunidades… um país!


Apesar desses inúmeros pontos de intersecção de 2 vidas, quase que entrelaçadas, sobre Marielle o caso ganhou notoriedade, dimensão internacional. ONGs, sobretudo, que englobam a temática sobre Direitos Humanos e minorias (negros, gays, feministas), OAB, ampla divulgação na Grande Imprensa brasileira, artistas (nacionais e estrangeiros) protestaram e choraram o resultado de hedionda ação. Inúmeras homenagens foram (e são) prestadas por sua passagem: uma canção em sua memória, “placa” colocada na lateral da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, lembranças em várias cidades pelo mundo (Londres, Dublin, Montreal, Washington, Nova York, Barcelona, Madrid, Paris, Berlim, Lisboa, Braga). Luzes (velas) em frente à ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).
Nas redes sociais surgiu a hashtag #MariellePresente.


Em solidariedade, Sua Santidade, o Papa Francisco ligou para a Sra. Marinette, mãe de Marielle, prestando solidariedade naquele momento de dor.

Quanto a Soldado PM Juliane, foi enterrada ontem (7), no Cemitério Municipal de Vila Euclides, no centro de São Bernardo do Campo, região do Grande ABC. Algumas Emissoras contaram o fato, porém, em breve, será esquecido e entrará para ao anonimato social. 


ONGs, OAB, artistas não se manifestaram, pois, afinal, ela era apenas uma mulher, pobre, negra, homossexual e “policial militar”…, adjetivo último que a tornou invisível à sociedade, não interessando sua vida ou o destino que a ela foi reservada!!!! O atributo “policial militar” limitará a visibilidade pelo ocorrido, apesar da mesma hediondez…, pois a cegueira ideológica parcializa a vida! 


#JulianePresente


O autor é negro, policial militar e Associado da DEFENDA PM.

Também aconselho a leitura da excepcional matéria de André Jalonetsky, do portal “IG”, jornalista compromissado com a verdade, disponível em:
http://ultimosegundo.ig.com.br/…/20…/juliane-dos-santos.html, sob o título: Duas Mulheres, duas guerreiras, dois assassinatos, dois tratamentos diferentes. As imagens utilizadas no texto são da matéria do Andre Jalonetsky.