DEZ INTEGRANTES DE QUADRILHA MORREM EM CONFRONTO COM A POLÍCIA CIVIL EM BAIRRO NOBRE DE SÃO PAULO

(*) Elias Miler da Silva

 

O local foi preservado pela própria Polícia Civil…. Normal.
A perícia foi realizada pela Polícia Técnico-Científica…. Normal.
As mortes em decorrência de intervenção policial serão apuradas/investigadas pela própria Polícia Civil…. Normal.
 

O FATO

 

Na noite de 03/09/17 fomos surpreendidos pela notícia de uma ocorrência na qual 10 pessoas que, identificadas como integrantes de uma quadrilha que praticava roubos a residências em áreas nobres, ocupando veículos blindados e ainda trajando coletes a prova de “balas” foram mortas pelas Equipes do GARRA e do DEIC.
O número de mortos na ação, a posição dos corpos e circulação das fotos dos cadáveres das pessoas perfilados, e ainda, de fotos de curiosos trajando chinelos próximos aos estojos de munições deflagradas, também chamou a atenção de todos.
Assim, toda aquela discussão da semana passada sobre a Resolução do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM-SP) nº 54/2017, e a falácia midiática, de que o documento do Tribunal Militar “autorizava os PM a mexerem na cena do crime”, na qual setores da imprensa, em especial do canal G1, e alguns ditos especialistas em segurança tanto questionaram, esvazia-se na prática do que esta ocorrência nos mostra na noite deste domingo.
O que falarão agora? Vamos criar outro órgão para investigar essas 10 mortes em decorrência de intervenção policial?
Vamos passar para a Polícia Militar investigar?
Não estamos aqui questionando a atuação da Polícia Civil, pois cabe à sua Corregedoria e ao Ministério Público a imparcialidade da apuração, mas questionamos os Delegados de Polícia, o Chefe do Ministério Público Paulista, o Ouvidor de São Paulo e setores da imprensa, pois se não fosse num bairro nobre e a ação fosse da PM, certamente já teriam se pronunciado contra a atuação dos policiais militares com inúmeras críticas.

 

Tudo isso demonstra claramente o preconceito que a Polícia Militar sofre diariamente por alguns setores da imprensa e por ditos “especialistas” do setor acadêmico.

 

Apoiamos e defendemos os nossos irmãos policiais do GARRA e do DEIC, pois se foram recebidos a tiros como retratado, revidaram à altura. E, felizmente, não houve feridos do lado da polícia e nem de cidadãos de bem que estavam pela rua.

 

O que se quer ressaltar aqui é que não aceitamos e não aceitaremos essa discriminação por parte de quem quer que seja, e apoiamos toda ação legítima, sendo uma prerrogativa da instituição policial que atuar preservar o local do crime para a perícia, apreender armas e objetos do crime, apurar a infração e sua autoria e enviar ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, cabendo a este o controle externo da atividade policial.
Assim preconiza a Constituição Federal, o Código de Processo Penal Militar, o Código Penal Militar e a Resolução do TJM aqui citada.

 

(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e Presidente da DEFENDA PM.

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