DEFENDA PM responde a Jornal em defesa de ação legítima do CPI-5

Veja abaixo o texto na íntegra

DEFENDA PM – Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar

OPERAÇÃO VISIBILIDADE NÃO É “MARKETING”, POLICIAL MILITAR NÃO É “CONE”

Recentemente houve duas reportagens no jornal “Diário da Região” sobre a questão da operação visibilidade empreendida pelo Comando de Policiamento do Interior – 5 na cidade de São José do Rio Preto.

Não será possível se delongar muito sobre as questões estratégicas para distribuição de policiamento no território, pois o espaço não é suficiente para responder ao tamanho do agravo. Por isso, especificamente sobre tais matérias, a DEFENDA PM – Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar – limita-se a responder em poucos parágrafos sobre duas questões: uma, o policiamento em si; a segunda, sobre o preconceito que se vê em relação a algumas reportagens sobre a Polícia Militar.

Primeiramente, a operação visibilidade não é “marketing”, e o policial militar não é “cone”, como sugerido pejorativamente nas reportagens. 

Não é “marketing”, pois esse tipo de operação é feita em todo o mundo e se inclui no papel constitucional e legal da Polícia “Ostensiva” brasileira, conforme previsão do Decreto-Lei Federal nº 667 de 1969. E a ostensividade é também exercida por meio de pontos de estacionamentos, de forma a dar à população uma referência certa sobre onde pode encontrar um policial militar na hora da necessidade, bem como para inibir a ação de criminosos. 

E isso não é feito de forma empírica pelo Comandante, mas baseado na análise dos índices criminais, das rotas de fuga dos criminosos, dos abusos no trânsito, dos anseios da sociedade, bem como instruído por dados sigilosos que não podem ser alarmados a fim de que não prejudiquem a finalidade de tal atividade.

E o policial militar não é “cone”, é um ser humano, cidadão e também um profissional. Nessa atividade exerce função de vigilância proativa, observando tudo que acontece ao redor e que possa afetar a segurança pública, o qual, além de sua formação inicial, freqüenta anualmente estágios de aperfeiçoamento e recebe treinamento e instrução para atuar também nesse tipo de função, tudo complementado pela experiência profissional que adquire ao longo dos anos.

Em São José do Rio Preto, tal iniciativa vai além porque utiliza policiais militares do serviço administrativo para o exercício de tais funções. Em verdade, apresenta-se como um plus ao policiamento, desonerando o agente que trabalha operacionalmente no serviço diário nas ruas, permitindo que este fique disponível ao patrulhamento e ao atendimento de ocorrências, bem como conduzindo para a atividade-fim os policiais habitualmente lotados nos serviços internos. 

Daria para se fazer um livro, com as devidas indicações de fontes bibliográficas, para explanar sobre os princípios consagrados do policiamento ostensivo, mas o espaço ora disponível é insuficiente, razão pela qual, pessoas com bom propósito conseguirão ver que tal atividade, da forma como vem sendo feita, traz um incremento ao policiamento tradicional, conhecido como “Atendimento 190”, e não um óbice.

Obviamente, os problemas com as viaturas, assunto que suporta uma outra longa discussão e cuja solução nem sempre está ao alcance do administrador “na ponta da linha”, pode gerar, excepcionalmente, algum entrave, mas é princípio do referido Comandante que a operação introduzida não repercuta em prejuízo ao policiamento preventivo nos bairros, realizados pelas Unidades de Serviço Móveis.

Isso nos leva a crer que o autor das matérias veiculadas utilizou-se de fontes não-oficiais, de discutível confiabilidade, uma vez que delas recebeu dados tendenciosos, não percebendo o noticiarista as prováveis motivações pessoais e escusas ao interesse público de tais fontes. Isso sempre nos leva a questionar: quais são os verdadeiros interesses por detrás de pleitos aparentemente nobres?

Mas temos outra reflexão a fazer sobre tais matérias, em especial, o injusto embate decorrente do mau uso do poder da imprensa, como formadora de opinião da grande massa.

O direito de resposta que possamos exercer não é pleno e nunca conseguirá suprir o indevido dano à imagem causado pela reportagem (uma página na íntegra em 05Mai17, e o Editorial do domingo, em 07Mai17). A resposta a uma matéria de primeira página ocupa pequeno e desproporcional espaço nas páginas periféricas de um periódico. E, normalmente, à réplica do ofendido segue a tréplica do Jornal, o qual terá sempre o privilégio da última opinião, poder do qual está privado o primeiro replicante. 

É o que, muito provavelmente, acontecerá em relação à esta nota, em que a resposta do órgão de comunicação vai enaltecer o caráter democrático da imprensa, cujo comprometimento é com a verdade e que tudo está sendo mal interpretado pela nossa parte. Ou seja, enobrece-se a si mesmo e vilaniza o que ousou exercer o direito de resposta.

De fato, não imaginamos que o autor da reportagem tenha sido movido por motivos obscuros ou sob patrocínio de alguma força que planeje prejudicar a imagem de nossa instituição. Pensamos sim, que o repórter tem todo o direito de expressar sua discordância com o modo de atuar da Polícia, embora pareça estar baseado em fonte tendenciosa.

Mas, temos que reconhecer, foi bastante infeliz. No presente caso, usar os termos “marketing” e “cone” é, no mínimo, acintoso, à medida em que se procura adjetivar de forma ofensiva uma ação necessária e legal da Instituição Policial-Militar e seus integrantes. 

O tom irônico e desdenhoso que se vê em determinadas partes das matérias pode transparecer que a intenção do autor da matéria ultrapassa o interesse de informar um fato de maneira isenta e busca alcançar um propósito maior de desmerecer uma Instituição, denotando um viés ideológico que deve nortear sua pessoa. Queremos não acreditar nisso. Diga-se de passagem, que tal preconceito não seria privilégio dos autores das matérias em comento, pois constantemente se vê reportagens com esse mesmo perfil editorial discriminatório, mas pouco técnico.

Deve ignorar o articulista da matéria sobre a formação de um Oficial da Polícia Militar, com graduação, mestrado e doutorado em ciências policiais de segurança pública, com mais de 30 (trinta) anos de experiência em diversas regiões do Estado. Provavelmente não conhece matérias como psicologia criminal, teoria geral do crime, planejamento estratégico em segurança pública, entre outras dezenas que instruem o Oficial da PM no sentido de otimizar os meios disponíveis, em regra parcos, no sentido de proporcionar um melhor resultado do policiamento.

Ao invés, arvora-se os ilustres jornalistas, com base em empirismos e conhecimento superficial dos fatos, em ensinar como se faz policiamento. Chega a ser risível, por exemplo, a sugestão de deixar as viaturas com problemas mecânicos nas ruas até que se abram vagas nas oficinas. Deveríamos agradecer? Talvez poderia em outra matéria sugerir a um médico sobre o uso correto de um bisturi.

Desculpem-nos. Não é prepotência nem arrogância. Não ensinamos como se faz jornalismo. Mas não podemos fechar os olhos para a parcialidade e, principalmente, o preconceito existente contra a Polícia Militar, em cuja atividade muitos se sentem doutores. 

Ser profissional de imprensa implica na responsabilidade de informar com isenção, ética e sem sensacionalismos, características que sempre identificaram a qualidade e excelência do Jornal Diário da Região.

Assim, considerando o grande respeito que temos em relação a esse destacado órgão de comunicação no noroeste paulista, colocamo-nos à disposição para um diálogo franco e honesto, sempre que precisarem, sabendo que todos temos um propósito comum em contribuir para a melhoria de nossa sociedade.

ELIAS MILER DA SILVA

Presidente