POR QUE O VÍDEO DO GOVERNADOR SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA TEVE TANTOS “DISLIKES”?

(*) Elias Miler da Silva

 

Recentemente, o Governador Geraldo Alckmin publicou um vídeo nas redes sociais, enaltecendo os feitos na área de segurança pública. Embora os números fossem todos positivos e enaltecessem a situação privilegiada que o Estado de São Paulo se encontra em relação a outros tantos que enfrentam dificuldades nessa área no país, o resultado está sendo desastroso. São mais de 25.000 “dislikes”, contra menos de 150 “likes”.

A explicação para isso é um movimento espontâneo, que envolveu parte dos policiais militares e seus familiares. Proibidos de fazerem greve, proibidos de exporem suas opiniões por conta de uma legislação castrense rígida, essa foi a forma encontrada de dizer: não estamos satisfeitos, Governador!

Como presidente da DEFENDA PM, entidade representativa de oficiais da Polícia Militar, que recentemente alcançou notoriedade ao ingressar, e ganhar, uma ação contra o prefeito João Doria, aponto a seguir algumas razões que podem justificar essa insatisfação, que certamente passa pelo sentimento de desvalorização que o policial militar sente por parte de seu Governador:

⁃      Inexistência de reajuste salarial há quase 4 anos;

⁃      Utilização dos policiais militares em funções que não são, constitucionalmente, a eles afetas, tais como a escolta de presos, inclusive dentro dos fóruns e as audiências de custódia;

⁃      A não adoção do Termo Circunstanciado de Ocorrências (TCO), como preconiza a legislação, o que implica no afastamento do policial militar de sua área de atuação para um simples registro de ocorrência, que poderia ser feito, como em outros estados, no próprio local dos fatos. Isso gera prejuízo significativo ao erário e à sociedade;

⁃      Inabilidade sucessiva dos secretários de segurança pública na condução das polícias, o que levou a várias crises entre PM e PC, sendo a mais recente a que trata da autoridade de polícia judiciária militar;

⁃      A falta de valorização do policial militar, apontado pelo próprio Governador como o responsável pela “quebra” da previdência do estado, quando os números apontam o contrário;

⁃      Policial Militar é a única categoria que continua contribuindo para a previdência quando passa para a reserva, já que não se aposenta;

⁃      A falta de conversa clara e aberta sobre reposição salarial, deixada a cargo do Secretário de Segurança Pública (SSP), que descumpriu acordo firmado perante o Governador, de, pelo menos, discutir o assunto com as entidades representativas a cada 2 meses. Recentemente, o SSP, usou de seu poder para privar várias entidades da possibilidade de negociar com ele o reajuste, limitando-se a receber apenas 3 das 17 entidades que compõem a Coordenadoria das Entidades Representativas dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (CERPM). De última hora, ainda cancelou a reunião, dizendo que não havia índice algum para apresentar;

⁃      A falta de reajuste tem trazido resultados ainda mais nefastos, pois leva o policial militar a buscar um complemento salarial em atividades extras. E nessas atividades, mais vulneráveis, os policiais militares têm morrido mais do que em sua atividade como policial;

⁃      Redução do ingresso de policiais militares, fazendo com que o efetivo atual da PM esteja por volta de 85.000, de um total fixado de 93.799, trazendo sobrecarga aos que estão trabalhando;

⁃      Número de horas trabalhadas bem superior ao trabalhador comum. Um PM trabalha, em média, entre 200 a 250 horas mensais.

A respeito desse vídeo, os policiais militares sentem que, muito mais que fruto de uma política de governo, os resultados mostrados são frutos da dedicação de mais de 85 mil homens e mulheres, abnegados e interessados em defender o povo paulista. E agora, o Governador confunde ainda mais a população ao expor medidas de mera manutenção da estrutura da PM, como sendo medidas de investimento.

Fica a pergunta: como um Governador que não consegue dialogar e valorizar uma Instituição disciplinada e hierarquizada e que trabalha diuturnamente, nos 645 municípios deste estado bandeirante, expondo-se e defendendo a sociedade com o sacrifício de sua própria vida, pretende conduzir uma nação?

 

(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar e Presidente da Associação “DEFENDA PM

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=9tdMUGpbj2Y