QUANDO UM POLICIAL MORRE, O ESTADO MORRE JUNTO!

  

(*) Humberto Gouvêa Figueiredo

 

Circulou hoje, 10/7, nas redes sociais um vídeo e algumas fotos de uma ocorrência policial de gravidade havida na cidade de Santa Margarida, no estado de Minas Gerais, quando uma quadrilha composta de 8 criminosos, armados com fuzis e carabinas calibre 12, depois de roubarem uma agência bancária, atiraram contra uma guarnição de policiais militares mineiros, vitimando fatalmente um deles, com um disparo de arma de fogo que atingiu a sua cabeça.

Acompanho diversos grupos nas redes sociais e vejo comumente, depois de eventos como este, manifestações diversas, que vão desde comentários sobre a audácia e violência dos criminosos, a discrepância do armamento de criminosos e policiais, a impunidade e a certeza de que não serão identificados até lamentações sobre a perda de mais um policial.

Olhando por um ou outro lado, pode-se chegar à conclusão que há sentido e verdade em tudo que se fala, muito embora algumas vezes, até pelo fato das pessoas estarem envolvidas emocionalmente, percebo algum exagero no tom das colocações.

Já escrevi outras vezes e vou repetir agora: toda vez que tenho a notícia da morte de um agente encarregado da aplicação da lei no cumprimento do dever, sinto uma dor enorme no coração, similar à que sentiria se estivesse perdendo um filho ou um irmão de sangue.

Tenho para mim que este fato, ou seja, o homicídio de policiais, deve ser tratado com o máximo rigor pelos órgãos de apuração, de acusação e, principalmente, pelo Poder Judiciário.

Não digo isto porque acho que a vida de um policial é mais valiosa do que a de outra pessoa qualquer, que exerça uma outra profissão: assim entendo porque o cidadão que opta por ser um policial assume um papel social de relevância, tornando-se uma parte do Estado, que nele se humaniza.

Ao atacar o policial, vitimando-o, é como se o criminoso estivesse violentando o próprio Estado!

Em muitos países desenvolvidos, o homicídio de policiais recebe o tratamento de crime de terrorismo, sendo as suas penas altíssimas e sem a previsão de qualquer benefício de redução.

No Brasil, matar policial virou motivo de prestígio entre os criminosos: quando um bandido consegue este intento passa a ocupar posição destacada na facção a que pertence e reconhecido entre os criminosos como alguém respeitável e que merece exercer liderança.

Uma completa inversão de valores que só se resolve com o endurecimento das penas e agilidade no processo penal: em linguagem mais clara, com “cadeia longa e rapidamente aplicada”!

Isto precisa acontecer breve, sob pena de, em curto espaço de tempo, não haver mais na sociedade aqueles que se interesse em ocupar o papel social de policial.

Na contramão disto tudo, discute-se no Congresso Nacional Brasileiro legislação que modifica a lei de Abuso de Autoridade e passa a punir com extremo rigor os policiais que eventualmente no cumprimento de sua missão pratique uma atitude que possa ser interpretada como abusiva.

Este desequilíbrio entre a legislação que pune os policiais e as que lhes garante proteção é um fator de desmotivação para a carreira e que poderá fazer aumentar ainda mais o número de vítimas policiais.

A pergunta que não quer calar e que faço há muito tempo é a mesma:

A QUEM INTERESSA ESTE CENÁRIO?

Eu imagino qual seja a resposta….

 

 

(*) É Coronel de Polícia Militar. Comandante da Escola Superior de Soldados. Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública e Associado da DEFENDA PM.

www.defendapm.org.br

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