NOTÍCIA COM CABEÇA, MAS SEM PÉ….

 

(*) Elias Miler da Silva

 

 

O G1, portal de notícias da Globo, reportou em 10/07 levantamento da GloboNews junto à Secretaria de Segurança Pública: no período 2007 a 2017, os policiais militares do Estado de São Paulo causaram a morte de 5.026 pessoas. A reportagem não mostra os tipos de ocorrência, muito menos quais eram essas pessoas.

Ouvido na reportagem, o ouvidor Júlio Neves declarou que a Ouvidoria recebeu 65 mil denúncias (não disse em qual período nem a qual polícia se referiam essas denúncias), e que as encaminhou para “as corregedorias e para o Ministério Público”.

O texto segue para a particularidade do cargo de Ouvidor, que tem estabilidade no emprego e não pode ser demitido pelo governador. Ele é escolhido pelo governador a partir de uma lista tríplice definida pelos 11 conselheiros do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), formado por entidades civis, pela OAB e por representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Um projeto do deputado Coronel Camilo está pronto para ser votado em plenário. O deputado quer alterar a regra da estabilidade, dando ao governador a prerrogativa de exonerar o Ouvidor quando bem entender.

Evidentemente, os leitores do G1 não chegaram até este ponto da extensa matéria. Pararam no início, como se o que interessasse mesmo é que os policiais militares do Estado mataram 5.026 pessoas em dez anos.

À noite, a GloboNews repercutiu a notícia, mas muito brevemente, informando que os PM paulistas mataram essa gente. Logo em seguida a reportagem mudou de rumo e foi para o Rio de Janeiro.

São detalhes muito interessantes: levantam o assunto falando em número grande de mortes, não especificam nada, sequer comentam um perfil de mortos, e já correm para outro assunto. Misturam alhos com bugalhos, e o que fica é o número de mortos… E o comentário do jornal: “matar não vai resolver o problema”.

O OUTRO LADO

A GloboNews e o G1 deveriam ter praticado bom jornalismo e informar seus leitores e telespectadores de maneira transparente. Pelo menos mostrar o outro lado da história. No mesmo período, 544 policiais militares foram mortos em seus horários de folga, 180 foram mortos em serviço. Dezenas ficaram inválidos. Outras centenas foram feridos. Isto ninguém falou.

A GloboNews e o G1 tampouco falaram do mal maior, que é uma Justiça que beneficia o criminoso. Ontem, o cidadão Walter Aparecido Capelazzo Júnior, de Barra Bonita (SP), foi libertado em audiência de custódia. O que ele fez? Parado por uma patrulha, foi informado de que teria de comparecer a um DP porque portava maconha. Embriagado, entrou em luta corporal com um dos PM, quebrou um dente dele com um soco e desfiou um rosário de palavrões. Só foi contido e levado ao DP com a chegada de reforços. Também ontem, em Santa Margarida (MG), um cabo da PM foi fuzilado a sangue frio por quatro “cidadãos do mal” em plena luz do sol.

O que vai acontecer com essa gente? Aos agressores, que atacaram o Estado representado por policiais militares, absolutamente nada. A família do Cabo de Minas Gerais cuidou do enterro de seu ente querido. O PM paulista vai gastar boa parte de seu minguado soldo no dentista.

Estamos no início de julho. O Brasil já está com seu terceiro Ministro de Justiça.

E a vida vai continuar assim…..

Queremos e merecemos valorização e respeito.

 

(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e Presidente da DEFENDA PM.

www.defendapm.org.br

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