A PROFISSÃO DE POLICIAL MILITAR NO BRASIL É A MAIS ARRISCADA E A MENOS VALORIZADA

DEFENDA PM – ASSOCIAÇÃO DE OFICIAIS MILITARES DO ESTADO DE SÃO PAULO EM DEFESA DA POLÍCIA MILITAR

(*) Elias Miler da Silva

 

Tendo em vista a recente matéria publicada na página da CBN, Rádio Globo, comentada por Dan Stulbach, José Godoy e Luiz Gustavo Medina, que foi ao ar na última segunda-feira, dia 2 de janeiro do corrente, não poderia deixar de escrever algo a respeito.

O título da matéria é “Militar é eleita a pior profissão de 2017”, trazendo à baila levantamento feito pela CarrerCast,  site americano especializado em oferta de vagas de trabalho, que utilizou como parâmetros os salários, a competitividade, a exposição ao perigo e o stress, dentre outros fatores.

Ressalta-se que entre as piores profissões avaliadas também está a atividade Policial.

Diante disto, passei a verificar sites nacionais que apontam quais as piores profissões no Brasil, verificando que não há muita variação do apontado pelo site CarrerCast.

Um exemplo disto é o Guia do Estudante Abril, colocando Policiais entre as cinco piores profissões do Brasil.

Essa posição do site CarrerCast é ratificada pela Convenção nº 155 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização das Nações Unidas (ONU), na qual está definido o significado de condições especiais que prejudicam a saúde ou a integridade física, e classifica a atividade policial como a segunda profissão mais estressante de todo o mundo, perdendo apenas para a dos mineiros de carvão; bem como pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no mesmo sentido, que catalogou a atividade policial como insalubre, perigosa, geradora de imenso estresse pelo esforço físico e da exigência intermitente de acuidade e higidez mental.

As posições supracitadas foram embasados na atividade do policial, que tem a missão de garantir, com dedicação e risco da própria vida, a ordem, a paz pública, o patrimônio das pessoas e os bens e serviços da Nação, fatores estudados e relatados pelo Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade de Manchester (University of Manchester, 1987) que obteve um índice de stress para as pessoas que trabalham em minas (8,3), policiais (7,5), piloto de avião (7,5) e bombeiros (6,3).

Esse quadro de risco da profissão gera uma importância para a atividade e para a sociedade, que reconhece nesses profissionais verdadeiros heróis.

Infelizmente, no Brasil não temos visto esse reconhecimento, quer seja no plano de carreira, salários, condições de trabalho e respeito social, pois parte da mídia distorce a natureza da atividade policial e os seus benefícios para a sociedade.

Esse setor da imprensa que somente destaca os erros, chega ao absurdo, como no caso da rebelião do presídio de Manaus, fazer comparação com a atuação policial do Carandiru, sem citar a selvageria dos internos, e ainda querem somente culpar o Estado, o Sistema e nunca o autores, numa teoria da irresponsabilidade, que inverte os valores e o bandido vira vítima.

Há a concretização, se não dizer até estatização, de que aquele que atenta penalmente contra a sociedade, é dela vítima, permeando, parece-me, as aspirações das ideias emanadas do manifesto comunista e a filosofia da ditadura do proletariado.

Não me reporto a negativar o socialismo ou defender aqui, o pós-neoliberalismo, que tem como instrumento o capitalismo. Mesmo porque os melhores índices de IDH estão em países que têm um equilíbrio concreto entre o social e o capital.

O que me reporto é na velha máxima de utilização do extremismo, que a médio e longo prazo, vai entorpecendo o cidadão, ao ponto de concluir que o criminoso não tem rosto ou personalidade a ser responsabilizada.

Evidentemente que em qualquer profissão ou ação humana, há uma porcentagem de erros e acertos, o que pode ser observado quando se nota as estatísticas das Polícias Militares, como de inconteste porcentagem de acerto, contra ínfima de erros.

Faço questão de citar o jornalista Alexandre Garcia, em comentário recente, sobre não haver a inclusão de Policiais Militares na reforma da previdência, como algo extremamente necessário, pois é uma categoria que sofre diariamente com o estresse, chegando doente e desvalorizado no final da carreira.

No Brasil há deturpação de valores, não sabendo dizer se por influência religiosa, pois não temos a mesma abordagem protestante, que nas revoluções históricas da humanidade, encamparam a educação como um valor por si só e a todos. Não é por acaso que a maioria dos países desenvolvidos e cultos tem em sua essência o protestantismo.

E isto também é refletido nas ações dos governantes, cada vez menos valorizando aqueles que mantêm a governabilidade, a ordem e a dignidade da pessoa humana, aqui mais notadamente o Policial Militar.

Realmente, a profissão policial-militar é uma das piores do Brasil, ou até do mundo, e isto precisa ser mudado.

Precisa ser mudado por meio da conscientização e reconhecimento da imprensa.

Precisa ser mudado por meio da conscientização e reconhecimento da sociedade.

Precisa ser mudado por meio do reconhecimento das autoridades (governantes).

Precisa ser mudado pela participação dos poderes constituídos.

Precisa ser mudado pela valorização interna na organização.

Enfim, é preciso mudar e é a hora para isto!

 

 

(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar e Presidente da Associação “DEFENDA PM”

www.defendapm.org.br

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