O CIDADÃO DE BEM TAMBÉM MERECE RESPEITO À SUA DIGNIDADE HUMANA

DEFENDA PM – ASSOCIAÇÃO DE OFICIAIS MILITARES DO ESTADO DE SÃO PAULO EM DEFESA DA POLÍCIA MILITAR 

(*) Elias Miler da Silva

Você cidadão de bem que recolhe religiosamente seus impostos, não deve ter ficado nada contente ao ler a notícia publicada no site G-1 em 09/01/17, dando conta que 1.528 presos que tiveram o benefício da saída temporária, durante o período de festejos de final de ano, não retornaram para os presídios na data estabelecida pelo Poder Judiciário, isso apenas no Estado de São Paulo.

São mais de 1.500 detentos condenados que estarão à solta nas ruas para continuar a aprontar suas barbáries, graças a uma Lei de Execução Penal antiquada que permite essa e outras tantas benesses aos sentenciados neste país.

Assim, nós temos a seguinte situação: bandidos que não foram presos e nem condenados violentando o povo; bandidos que já foram condenados e ainda não foram capturados; e os bandidos que cometem crimes, foram presos e condenados e agora novamente estão soltos.

Todo esse quadro é colocado nas costas do policial, em especial do Policial Militar, aquele que efetivamente está nas ruas na difícil tarefa de prevenir o crime nos 645 municípios do Estado de São Paulo, durante as 24 horas do dia.

Essa legislação tão ultrapassada, em vários aspectos, tem que ser alterada!

E tal situação agrava o sentimento de estar “enxugando gelo” por parte dos Policiais Militares, bem como a sensação de impunidade para a sociedade aumenta, pois o cidadão de bem é quem paga esse preço.

A você, cidadão de bem e que assisti perplexo esse quadro e o assassinato de mais de 160 pessoas ocorrido diariamente, ou as mais de 50.000 vítimas fatais produzidas nas estradas brasileiras, que não são lembrados pela grande mídia, nem tampouco suas famílias, pois parte daquela dá mais valor em noticiar presos mortos em uma verdadeira guerra entre facções criminosas no Amazonas e em Roraima, nós, Policiais Militares, expressamos o nosso sentimento e respeito.

E apenas como exemplo comparativo do nosso sistema carcerário com o do Japão, como retratou Léo G. Medeiros: “a filosofia que dirige o sistema carcerário japonês é diferente da que rege todos os outros presídios ocidentais, que tentam reeducar o preso para que ele se reintegre à Sociedade. O objetivo, no Japão, é levar o condenado ao arrependimento. Como errou, não é mais uma pessoa honrada e precisa pagar por isso”.

O respeito à sua dignidade humana, meu caro leitor, normalmente é deixado de lado por muitas organizações brasileiras. 

Mas é preciso mudar e ainda há uma luz no final do túnel. Uma das formas é a consciência política, votando em quem efetivamente merece nos bem representar. Outra saída é valorizando e respeitando os policiais deste país, especialmente os Policiais Militares, aqueles que, inúmeras vezes, doam suas vidas por meio do juramento que fazem pra defender a sociedade. 

Ainda há saída. Ainda dá tempo de virarmos o jogo neste país. Nossos filhos e netos merecem um lugar melhor para se viver. Chega de apologia ao crime. Chega de legislação benevolente, chega de impunidade.

(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar e Presidente da Associação “DEFENDA PM”

www.defendapm.org.br