BANDIDOS FARDADOS SÃO A EXCEÇÃO E DEVEM SER PUNIDOS

(*) Coronel Figueiredo 
Acordamos hoje, 29/6, com noticiário em diversos veículos de comunicação dando conta de uma operação policial desencadeada pela Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e pela Polícia Civil daquele Estado, cujo objetivo era a prisão de traficantes e de bandidos travestidos de policiais militares, acusados de facilitar o tráfico de drogas na cidade de São Gonçalo, mediante o recebimento de propina.

Embora o fato tenha ocorrido em outro Estado, pela forma enfática com que a imprensa e alguns dos entrevistados enfatizam o ocorrido, afirmando tratarem-se de integrantes da Polícia Militar, ocorre algo que já estamos acostumados a ver: a generalização.

Mas é preciso refletir um pouco mais profundamente do que se passou, até para não cometer-se a injustiça de nivelar boas e más pessoas, honestos e desonestos, corretos e corruptos.

Embora não conheça das investigações realizadas, partirei do pressuposto de que provas consistentes existam, pois imagino que, caso não fosse assim, o Magistrado não expediria os Mandados de Prisão que foram cumpridos.

Como em qualquer ramo profissional, também nas Polícias Militares, a despeito do rigoroso processo de seleção, que possui inclusive uma fase de investigação social, além do exigente e complexo processo de formação, acabam ingressando pessoas que não deveriam pertencer aos seus quadros.

A maior parte destes maus policiais, em curto espaço tempo são identificados, quer por aqueles que exercem função de Comando, quer pelos próprios pares e, em tempo reduzido, são excluídos da Instituição. 

As Corregedorias das Polícias Militares são reconhecidamente implacáveis com aqueles que usam a Instituição como ferramenta para cometer crimes e atuar como bandidos: todos aqueles que assim são identificados, respondem a processo administrativo e/ou penal militar e, invariavelmente acabam presos, expulsos ou demitidos.

Cortamos a própria carne sem dó, pois quem escolhe ser policial militar escolhe o caminho do bem, da retidão, da honestidade.

Nem mesmo o absurdo que ocorre no Rio de Janeiro, com o atraso no pagamento por parte do Governo dos salários dos funcionários públicos da ativa e aposentados, justifica a escolha do lado do crime por parte deste grupo de bandidos fardados.

Eu particularmente, e acredito que muitos me acompanham nesta forma de pensar, comemoro quando vejo ou ouço que foi prenso um policial militar desonesto, corrupto, que usa a Instituição para obter vantagem indevida.

Entendo que ao responsabilizar aqueles que desonram a farda que ostentam, por via indireta se homenageia aqueles que a respeitam e dignificam.

Assim eu penso!
(*) É Coronel de Polícia Militar, Comandante da Escola Superior de Soldados e Associado da Defenda PM