A VALORIZAÇÃO DO SOLDADO DE POLÍCIA MILITAR

(*) Eglis Roberto Chiachirini

 

Esta semana recebi com muita alegria notícia de capa do jornal Diário de São Paulo versando sobre o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e do consequente caminhar de nossa Instituição para o Ciclo Completo de Polícia, melhoria inegável das condições de trabalho para o Policial Militar e para a população que tanto necessita dos serviços públicos no geral.

Enquanto cidadão, tenho a certeza viva de que este será um grande passo do serviço de segurança pública.

O pensamento que me veio e que também me traz alegria é o de que nosso Soldado será a primeira Autoridade Policial deste Ciclo Completo, materializando toda a investidura do poder do Estado.

Este novo papel traz para nós Oficiais alguns eixos de grandes reflexões: “Qual a formação e empoderamento interno que vamos prover a este nobre profissional?”; “Quando a sociedade brasileira, efetivamente, valorizará o seu policial?” e o mais paradoxal, “Antes da sociedade, será que não temos um caminhar nosso no sentido desta valorização?”

Em um país bacharelesco como o nosso, cheio de pronomes de tratamento, com V. Sa. e Exa., e uns tais Doutores plantonistas, será que a sociedade não deveria valorizar cada vez mais aquele que a defende, mesmo com o sacrifício da própria vida? O nobre Soldado de Polícia Militar, que eu prefiro chamar de Policial de Segurança Pública, a exemplo da PSP – Polícia de Segurança Pública de Portugal, merece sim mais respeito de todos, e nós vamos ajudá-lo a conquistar esse respeito!

O próprio termo Soldado, que ao final é o que todos nós militares somos, mas no caso da “graduação” soldado, esta não se adequa mais à realidade do nosso profissional e um termo que não identifica de pronto a profissão ou a autoridade policial, qual efeito carrega para o caminhar de empoderamento e busca de mais respeito social?

Outras instituições policiais militares e também bombeiros militares já mudaram o tratamento do primeiro cargo de suas instituições. É o caso da Gendarmerie Francesa que chama seu primeiro nível de Gendarme; dos Carabineiros do Chile onde o soldado é o Carabineiro; dos Sapeurs-Pompiers de Paris onde chamam seus bravos combatentes do fogo de Pompiers (Bombeiros) e, mais recentemente, a GNR – Guarda Nacional Republicana (Polícia Militar Portuguesa) passou a chamar o Soldado de Guarda, que na cultura portuguesa é uma deferência.

Trazendo para nós, não seria o momento de mudarmos a graduação inicial do nosso profissional do termo Soldado para a titulação de “Policial” ou “Bombeiro” e, enquanto na visão do “cliente” da polícia de segurança pública, essa nova titulação do “senhor Policial” não traria um respeito maior da sociedade para com o nosso pessoal?

Este é apenas uma pitada de pensamento no futuro para o qual nossa Instituição está dando os primeiros passos. Fica para reflexão.

“ATENÇÃO SENHORES POLICIAIS: SENTIDO!”

 

(*) É Major do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo e Membro da Associação “DEFENDA PM”

www.defendapm.org.br