INSTITUIÇÕES FORTES, VOTO CONSCIENTE

As informações divulgadas sobre o caso Banco Master e seus desdobramentos institucionais merecem atenção e apuração pelos órgãos competentes, sempre com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência, princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito. No entanto, o debate público não pode se limitar à sucessão de episódios, acusações e disputas entre autoridades. Mais importante do que acompanhar os fatos é refletir sobre o que eles revelam e sobre quais medidas podem fortalecer as instituições e ampliar a confiança da sociedade em seu funcionamento.
 
A democracia exige mais do que confiança pessoal em quem ocupa cargos de poder. Ela depende de regras estáveis, transparência, controles eficazes e mecanismos de fiscalização capazes de funcionar independentemente dos nomes envolvidos. O respeito às instituições deve caminhar lado a lado com a exigência de responsabilidade por parte de seus integrantes, sempre nos limites da lei.
 
Essa reflexão também alcança a segurança pública. O enfrentamento da criminalidade exige polícias profissionais, inteligência qualificada, integração entre órgãos, investigação patrimonial e financeira eficiente e segurança jurídica para os agentes que atuam dentro da legalidade. Ao mesmo tempo, a valorização dos profissionais e a fiscalização de sua atuação devem ser tratadas como compromissos permanentes, voltados à proteção do cidadão e à preservação da confiança pública.
 
Não se trata de enfraquecer o Judiciário, o Ministério Público ou as Polícias. Ao contrário: trata-se de assegurar que cada instituição exerça suas atribuições com independência, responsabilidade e observância dos controles previstos em lei. A autoridade pública deve estar sempre a serviço do interesse coletivo, jamais subordinada a relações pessoais, conveniências momentâneas ou interesses particulares.
 
As eleições de 2026 oferecem aos cidadãos a oportunidade de avaliar como os candidatos pretendem enfrentar esses desafios. O debate eleitoral precisa ir além de slogans e promessas genéricas, apresentando propostas concretas, compreensíveis e passíveis de comparação e fiscalização. Na área da segurança pública, isso significa discutir não apenas efetivo e equipamentos, mas também inteligência, combate ao crime organizado e financeiro, segurança jurídica para os agentes públicos e mecanismos de controle institucional.
 
Ao analisar essas propostas, o eleitor deve considerar sua viabilidade, a trajetória dos candidatos e a coerência entre discurso e prática. Também é importante verificar se os compromissos assumidos respeitam as atribuições do cargo disputado e apresentam caminhos claros para sua implementação e acompanhamento.
 
O voto consciente não se encerra nas urnas. A participação cidadã continua após a eleição, por meio do acompanhamento das ações dos representantes eleitos, da cobrança por transparência e da exigência de responsabilidade no exercício dos mandatos. Instituições fortes dependem de cidadãos atentos, participativos e comprometidos com a defesa da democracia.
 
Para a DEFENDA PM, fortalecer a segurança pública e o Estado Democrático de Direito exige instituições sólidas, respeito à lei e participação ativa da sociedade. O voto consciente é uma das principais ferramentas para construir esse compromisso, escolhendo representantes com propostas consistentes, atuação responsável e respeito às regras que sustentam a vida democrática.
 
Coronel Luiz Gustavo Toaldo Pistori
 
Bacharel e Mestre em Ciências Policiais de Segurança e de Ordem Pública, pela APMBB e CAES.
Bacharel em Direito e Pós-graduado em Direito Militar, pela Unicsul.
Pós-graduado em Sociologia pela FESPSP- EPG.
Coronel QORR da Polícia Militar do Estado de São Paulo. 
Presidente da DEFENDA PM (Associação dos Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar).