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(*) Elias Miler da Silva


Está lá na praça, sentado tranquilamente, fumando seu cachimbinho de crack, um pobre usuário. E vem o policial militar, movido por uma sanha assassina, vê o pobre ali, sem fazer nada, levanta a arma e prega no olho dele uma bala de borracha. O rapaz fica cego.


O rapaz em questão tem 28 anos, chama-se Heitor Fonseca, e ocupa grande espaço do Portal UOL nesta manhã de 5 de julho de 2017. É feita sob medida para inspirar piedade (em relação aos usuários de drogas) e ódio (em relação à Polícia Militar). O objetivo não foi atingido: três assinantes comentaram a notícia, todos aplaudiram a Polícia.


Acontece que Heitor foi identificado como um dos agressores dos policiais militares que foram cumprir uma ordem legal de desocupar a Praça Princesa Isabel no dia 17 de junho. Ele acompanhava a leva de usuários de crack que migrou a Cracolândia para a praça depois da desocupação do final de maio.


Ele não é um usuário qualquer. Natural de São Bernardo do Campo, começou a usar drogas quando vivia com a família em Nova Jersey (Estados Unidos) onde seus pais, com três filhos, foram viver ilegalmente em busca de uma vida melhor. A mãe fazia faxina; o pai, reformava casas. Nada que não pudesse ser feito em São Bernardo mesmo.


Nos EUA, diz à Folha, os irmãos entraram e saíram de várias clínicas de reabilitação. Ficaram presos de 2007 a 2012 por terem sido flagrados em assalto a mão armada. Heitor tinha 19 anos. Foram deportados para o Brasil, diretamente para Poços de Caldas (MG), onde moravam os avós.


A avó conta que Heitor estudou em bons colégios. Fala inglês fluentemente. Trabalhou em hotéis, deu aulas do idioma…. mas sempre voltava para as drogas. Fez um curso para ser monitor de clínicas de reabilitação. Foi trabalhar em Cotia. Heitor conta que teve recaídas, piorou de vez e foi parar na Cracolândia.


A Folha foi ouvir o coordenador do núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, Carlos Weis. Ele declarou que “todas as pessoas têm liberdade de locomoção, e a polícia só pode reprimir se a pessoa tiver cometido crime ou se tiver um mandado policial (sic)”. A Folha também foi ouvir o pai do rapaz, lá nos Estados Unidos. Ele disse que o fato “mudou totalmente a vida dele (Heitor). O que ele vai fazer agora?”, indaga.


O Cratod (centro de referência de drogas do governo do Estado), declarou que Heitor compareceu ali “para ser avaliado por equipe multiprofissional e para ser orientado quanto à organização de bagagens, separação de medicação e alimentação”. Heitor evadiu-se do local às 11 horas, uma hora antes do horário programado para a saída.


Este é o Heitor. Personagem da Folha.


Para que informar, se pode deturpar….?



(*) É Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e Presidente da DFENDA PM.


www.defendapm.org.br


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/07/1898561-usuario-de-droga-perdeu-olho-em-acao-da-policia-militar-na-cracolandia-de-sp.shtml

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