MAIS UM POBRE MORREU NA FAVELA

(*) Fernando Ferreira Alves

Mas desta vez, a favela está em paz, como se nada tivesse acontecido, não colocarão fogo em ônibus, não colocarão faixas de homenagem, nem haverá protesto, as entidades de direitos humanos não irão à mídia e de forma acalorada cobrar por justiça; é como se nada tivesse acontecido.

Pouco importa que a filha de sete anos deste pobre rapaz pobre não verá mais o pai, pouco importa o choro da esposa deste pobre rapaz pobre, pouco importa o coração partido dos amigos deste pobre rapaz pobre, é como se nada tivesse acontecido.

O padre não sairá de sua capela para convocar o povo para fechar a avenida em forma de luto, não haverá passeata com faixas e cartazes, não haverá cobertura da imprensa nem comoção popular; é como se nada tivesse acontecido.

Mas este pobre que morreu na favela estava ali para defender a sociedade que não se comove com sua morte, ao contrário, ri sarcasticamente diante da tragédia, este pobre rapaz pobre é mais um Policial Militar, que como um cão pastor, deu sua vida defendendo um rebanho de ovelhas indefesas dos lobos que permeiam as vielas da favela.

Mais um herói que tomba diante de nós, descanse em paz Soldado PM Lourenço, aliste-se no exército celestial onde os bons se encontrarão um dia, enquanto isso, continuamos aqui o combate, defendendo os justos e esperando que aqueles que defendemos todos os dias não se acomodem com fatos como esse e parem de agir como se nada tivesse acontecido.

(*) É Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, no posto de Capitão, Comandante de Companhia do 38º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (38º BPM/M), Bacharel em Ciências Polícias de Segurança e Ordem Pública pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Associado da DEFENDA PM.

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